Como o planejamento estratégico salvo o meu negócio

Foram mais de 32 horas de planejamento até encararmos o óbvio: estávamos subprecificando, posicionados de forma inadequada e investindo energia em produtos de baixo retorno. O planejamento estratégico não apenas revelou problemas — ele nos obrigou a mudar praticamente tudo.

Felipe Vasconcelos | Gerente de Marketing

2/14/20263 min ler

Gráficos sob uma mesa
Gráficos sob uma mesa

O Planejamento Estratégico como Diferencial de Sobrevivência no Mercado Brasileiro

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de cada dez empresas abertas no Brasil, apenas quatro sobrevivem após cinco anos. Diversos fatores explicam esse fenômeno, desde o ambiente de negócios hostil até a instabilidade econômica. Todavia, um dos principais problemas que aflige micro, pequenas e médias empresas — bem como profissionais liberais — é a falta de planejamento. A maioria dos empreendedores simplesmente "deixa o negócio fluir", o que impede o mapeamento de pontos fortes, fraquezas, oportunidades e ameaças. Em suma: quem não planeja, não sabe onde está e tampouco onde deseja chegar.

O que é planejar e por que a maioria das PMEs não o faz?

Antes de tudo, é preciso compreender que a Administração é uma ciência fundamentada em doutrinas sólidas. Segundo a Teoria Clássica, as funções administrativas essenciais são: planejamento, organização, direção (comando) e controle.

Nesse sentido, Idalberto Chiavenato, um dos mais renomados doutrinadores da área no país, define o planejamento como: “um processo contínuo de tomada de decisão que define o futuro desejado, alinhando esforços e recursos para alcançar objetivos de forma eficiente e eficaz”. Em outras palavras, planejar consiste em diagnosticar o presente para projetar o futuro.

Apesar da utilidade óbvia dessa ferramenta, por que a maioria dos pequenos negócios a ignora? Na minha concepção, isso ocorre por dois motivos: primeiro, pela falta de consciência sobre sua necessidade; segundo, porque o processo é laborioso e exige esforço intelectual constante.

A importância do Planejamento Estratégico

Via de regra, as grandes companhias contam com executivos de elite e equipes competentes para gerir a estratégia e a operação de forma distinta. Por outro lado, nas pequenas empresas, o empreendedor costuma acumular todas as funções. Nesse cenário, o planejamento acaba sendo visto como algo secundário diante das urgências do dia a dia. Além disso, predomina no Brasil o "empreendedorismo de sobrevivência", no qual o foco é complementar a renda, e não necessariamente profissionalizar um negócio. Por fim, há aqueles que até reconhecem a importância, mas não sabem por onde começar.

Como executar o Planejamento Estratégico?
Considerando que a Administração possui bases científicas, é natural que um leigo sinta dificuldade em realizar um planejamento funcional sozinho — da mesma forma que saber a teoria não capacita alguém a projetar uma ponte. No entanto, há soluções acessíveis: o SEBRAE, por exemplo, oferece suporte gratuito e técnicos qualificados para orientar os empreendedores.

Para quem deseja iniciar o processo, recomendo o uso de planilhas (Excel ou Google Sheets), pois o planejamento é dinâmico e exigirá revisões periódicas. O passo a passo fundamental inclui:

  1. Diagnóstico Estratégico: Visualizar a situação real da empresa nos ambientes interno e externo (finanças, concorrência, produtos).

  2. Matriz SWOT: Identificar Forças e Fraquezas (interno) e Oportunidades e Ameaças (externo) para potencializar o que é bom e mitigar riscos.

  3. Referenciais Estratégicos: Definir Missão, Visão e Valores. Vale ressaltar que muitas empresas cometem o erro bizarro de começar por aqui sem o diagnóstico prévio, resultando em frases vazias que servem apenas para decorar a parede.

O Caso Prático: Como o planejamento salvou o meu negócio

No início de 2025, ao elaborarmos o planejamento estratégico para o período, detectamos falhas críticas: subprecificação, produtos com baixo rendimento e posicionamento equivocado. A partir desse diagnóstico, pudemos tomar atitudes drásticas: revisamos contratos deficitários, rescindimos com clientes que não se adequavam ao perfil desejado e que geravam gargalos operacionais, e definimos um público-alvo assertivo. A consequência direta foi um reposicionamento completo do negócio, com serviços refinados e uma política interna de prestação de serviços muito mais eficiente.